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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O novo concurso da RTP

Para alguns é um programa ridículo, para mim é um programa genial! “Sabe mais do que um míudo de dez anos?”, é o nome do programa, em que os concorrentes são submetidos a uma série de perguntas de matéria que se lecciona do 1º ano ao 5º ano de escolaridade. Os concorrentes em cada pergunta escolhem um de cinco míudos (de dez anos) para que o possam ajudar nas perguntas que os graúdos não sabem. Confuso? Como é que um graúdo não pode saber a resposta a uma pergunta da primária? Fica um dado: no primeiro programa, o concorrente que mais avançou na pirâmide do dinheiro respondeu só a quatro perguntas, das quais em duas teve de pedir ajuda ao míudo.
São no essencial perguntas de definição e que apelam a uma memória subconsciente e, se nalguns casos, a pergunta desperta a chamada memória selectiva e o graúdo responde correctamente, noutros casos o graúdo fica a olhar, pensando para si: “Epá, sei menos que um míudo de dez anos!” E muitos telespectadores também. As perguntas também não são o “bêabâ” da primária, mas sim um pouco rebuscadas, no entanto não nos deixa de intrigar olharmos para a pergunta e não sabermos a resposta, embora achando a questão ridiculamente fácil.
Em suma, um programa que irá por a educação dos portugueses a nú, demonstrando que ainda vigora entre nós a política educativa do “Decora para o teste, esquece para a vida”!

A Polónia anda-se a portar mal…

"Bruxelas, 18 Set (Lusa) - Os ministros da Justiça da União Europeia (UE), reunidos hoje em Bruxelas sob presidência portuguesa, foram incapazes de chegar a um consenso sobre a instituição de um Dia Europeu contra a pena de morte, inviabilizado pela Polónia. [...]
A Polónia, que recentemente fez saber que se opunha à iniciativa - alegando que a UE deve abrir antes um debate mais amplo sobre o direito à vida, que incluiria o aborto e a eutanásia -, mostrou-se hoje intransigente, inviabilizando assim a instituição de um Dia Europeu."

Lusa in Expresso.pt


E, bem vistas as coisas, é uma atitude um bocado mesquinha…

Transgénicos

A nova moda dos movimentos ecologistas, desde o vandalismo na colheita de milho em Silves, é precisamente a questão dos alimentos transgénicos. A comunidade científica ainda não chegou a consenso de saber se sementes alteradas geneticamente para resistir a pragas e outros riscos próprios da agricultura são prejudiciais ou não para a saúde de quem os consome. Existem opiniões válidas, de ambos os lados.
Há dias, uma manifestação de elementos do Greenpeace e de movimentos ecologistas portugueses civilizados (no entanto, não me espantaria que no meio de tanto folclore estivesse um ou outro “ceifador” do milho de Silves) fez-se ouvir em frente ao Hotel onde os vários ministros europeus da agricultura se reuniam “informalmente”. O tema era, precisamente, transgénicos.
Ouvi uma das manifestantes (não me recordo se era líder de algum dos movimentos ou não) dizer que a mensagem que se queria transmitir aos ministros era um direito à escolha entre consumir ou não um produto transgénico, no fundo, a obrigatoriedade de se rotular, no produto, se este é transgénico ou não. Nisto nada me fez confusão, aliás, concordo inteiramente com a ideia, até me arrisco a dizer, apesar de não ser especialista no assunto, que será um direito que assiste ao consumidor.
Mas logo depois da comunicação da manifestante vem a incongruência: Os cartazes da manif não referem direito à escolha ou livre opção… Apenas têm os slogans: Transgénicos Fora! Out!
E o direito a consumir transgénicos? Se são mais baratos (as culturas têm menos risco de serem destruídas) e se até agora não está absolutamente provado de que são nocivos, porque é que não há essa opção? É que pelos cartazes, a ideia que passa é um direito à escolha estranho, basicamente a escolha de consumir não-transgénicos ou então não consumir de todo! Parece um pouco como a ideia de liberdade da extrema esquerda, “a liberdade boa, democrática, é a que nós queremos e fazemos, quem não gosta é fascista”.
O direito a consumir ou não consumir transgénicos é, até prova em contrário, um direito igualmente respeitável. E é bom que quem mais se interessa com este tema nunca se esqueça disso. Quer os que querem os transgénicos fora da Europa, quer os que cultivam esses alimentos e fazem disso ganha-pão.


P.S. – E os arruaceiros de Silves? Alguém já ouviu alguma notícia do suposto “inquérito urgente” que se ia fazer?

Seis anos depois do 11/09/01…

E ainda há quem pense que os passageiros do Voo 93 estão todos fechados num grande pavilhão da NASA! Já que estamos numa de teorias da conspiração, não era mais fácil matá-los a todos e fazer desaparecer os corpos?

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Dalai Lama

Dalai Lama visitou Portugal, uma visita de cariz espiritual/religioso. O único órgão de soberania a receber o líder religioso do budismo e líder político do Tibete foi a Assembleia da República. Quer o Governo, quer o Presidente da República não receberam o líder, ou sequer se fizeram representar nas várias cerimónias em que Dalai Lama esteve presente. Vigorou nestes dois órgãos o sentimento de "pequenez" tão característico do nosso Portugal, infelizmente. Porque se os Órgãos políticos mais representativos do Estado recebessem o Dalai Lama, iria criar-se alguma instabilidade nas relações diplomáticas com a China, esse país democrático, amplo defensor da não exploração de mão-de-obra infantil e grande fomentador dos Direitos Humanos, sobretudo no Tibete. Temos de nos deixar de acanhar e afirmarmo-nos como país soberano que somos, tradicionalmente acolhedor dos povos e pioneiro na defesa dos Direitos Humanos. Por mais religiosa e apolítica que fosse a visita de Dalai Lama, não ficava mal, ou, melhor dizendo, era exigido que Sócrates (ou Luís Amado) e Cavaco estivessem presentes na chegada de Dalai Lama. Mas não estiveram. Felizmente, nem todos os políticos portugueses pensaram da mesma forma.
Uma nota adicional em relação à justificação de Cavaco: Naturalmente existiu uma falha da organização portuguesa que recebeu o Dalai Lama em não dar um convite formal ao Presidente da República, no entanto que eu saiba, normalmente são os "donos da casa" que recebem o convidado, o convidado não pede para ser recebido, logo julgo que uma mera notificação do evento, neste caso, seria suficiente para uma comparência do Presidente da República. Mas pior foi a forma como Cavaco se expressou, manifestando uma injustificada e arrogante superioridade, como que o Presidente da República se regesse pelo princípio do pedido e apenas comparecesse quando recebesse um convite formal e não por sua própria iniciativa. Por esta não esperava, sr. Presidente.
Para finalizar, os parabéns ao PCP que esteve, surpreendentemente, representado na visita do Dalai Lama ao Parlamento. É certo que não repetiu o mesmo na visita à CML, mas também Rúben de Carvalho é mais independente que os deputados do PC.

domingo, 2 de setembro de 2007

Orgulhosamente português!









Aqui ficam os parabéns do "Ponto" à Vanessa Fernandes e ao Nélson Évora, por arrecadarem duas medalhas de ouro no Triatlo e no triplo salto, respectivamente.
Fica também aqui registado o reconhecimento do esforço de Naide Gomes que terminou o salto em comprimento em quarto lugar (ficou fora do pódio na última ronda de saltos, onde duas atletas a ultrapassaram por três centímetros...), de Susana Feitor e de Inês Henriques, que terminaram em quinto e sétimo lugar, respectivamente, nos 20kms marcha.



terça-feira, 3 de julho de 2007

Eficiência jornalística...



Only in USA!

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Referendar ou não Referendar, eis a... Questão?

?
foto: Rui Gaudêncio/PÚBLICO

Começou hoje (ou melhor, ontem, Domingo) a terceira presidência Portuguesa da União Europeia. Já sabemos que o país irá parar durante estes seis meses que se aproximam e que a ordem do dia irá ser: Tratado "Reformador" de Lisboa. E que terá de ser aprovado e ratificado por todos os Estados-Membros, caso contrário, será um falhanço da Europa e, principalmente, de Portugal, uma vez que é no nosso mandato que tal tratado irá ser celebrado. Até aqui nenhuma, aparente, novidade.

O tratado ainda nem sequer está feito, já se pensa na ratificação, como irá ser, se por referendo, se pela A.R.. O PSD já fez ver que só aceitará um tratado se este for referendado, uma vez que prometeu o referendo ao tratado constitucional no seu programa político, o Governo/PS, nas palavras do Primeiro Ministro, defende uma necessidade de ratificação do tratado que não pode correr riscos com a opinião do Povo, PCP e sucedâneos (Blocos de Esquerda, Verdes, etc...) defendem o referendo a todo o custo, uns porque a Europa é má e a palavra "federalização" soa-lhes muito à U.S.A., outros porque os srs. da Europa estão a mentir e tudo isto não passa de uma cabala para aprovar o Tratado Constitucional, agora chamado de Tratado Reformador (o que até pode ser verdade, não refuto) e sempre se aproveita para mais umas "cow parades" (utilizando uma expressão de J. Pacheco Pereira) que eles bem gostam...

E nisto do referenda e não referenda, se vai passando o tempo sem se chegar ao fundo da questão: Que os portugueses na sua generalidade se sentem alheados da Europa e que de nada adianta este debate se não existir uma preocupação da classe política na sua generalidade, do CDS ao BE, de informar a população, numa perspectiva imparcial (por mais impossível que possa parecer) e clara do que é a Europa, qual o tratado em concreto que irá ser aprovado (e não apenas ficar nos "diz que disse" que o tratado é o mesmo e não muda nada ou muda tudo ou muda alguma coisa) e se isso implica uma maior perda de soberania para nós (e explicar também o que é a soberania num mundo globalizado como o nosso e de que a soberania monetária já se perdeu com a moeda única e o Banco Central Europeu).

Depois disso, aí sim é razoável falar de referendar ou não referendar, de, em suma, falar se queremos continuar a fazer parte do sonho Europeu ou sequer se o sonho tem concretização ou não passa de uma Utopia. Porque, inevitavelmente, o tratado significará isso mesmo, a continuação ou não da Europa como um só. Mas até lá muita informação deve ser prestada. A questão não é o referendo, a questão é a Europa em si mesma!

É desta que vamos saber a verdadeira história do PCP?







Zita Seabra, no próximo dia 5 de Julho, no quartel do Carmo, vai lançar o seu novo livro, Foi Assim, da editora Alêtheia, sobre a sua versão da história do Partido Comunista Português. Será que vai ser mais um livro PC, cheio de floreados e de histórias da carochinha, ou será mesmo um retrato verdadeiro e fidedigno desse partido "monolingue"?
De uma coisa eu tenho a certeza: Os comunistas não vão gostar!

sábado, 30 de junho de 2007

Das poucas vezes que concordo com o Prof. Vital Moreira...

"... não vejo nenhuma razão para a isenção universal de taxas moderadoras no caso das IVG. É certo que as postulantes estão grávidas, mas pretendem justamente deixar de o estar. Se a isenção se compreende nos casos de aborto por razões de saúde ou de violação, já assim não sucede nos demais casos de aborto voluntário. Nem se diga que a total gratuitidade visa prevenir os abortos clandestinos, pois é evidente que, por mais barato que seja um aborto fora de um estabelecimento de saúde, nunca será mais barato do que uma modesta taxa moderadora."
(Vital Moreira, in http://www.causa-nossa.blogspot.com/ , 21-6-07 )

E ainda se diz que o referendo não foi "liberalização"?

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior - novas informações

Como já fiz referência no blogue do Tribuna, este processo encontrou novos desenvolvimentos. Para quem estiver interessado, consultem o fórum da AEFDUP, no departamento da Política Educativa, que aí encontrarão novas informações sobre a proposta de lei do Governo.
Fica aqui o link:

http://www.forumaefdup.pt.vu/

sábado, 16 de junho de 2007

A ter em atenção... Proposta de Lei do Governo

Na época em que alunos universitários se preocupam com exames e frequências para acabarem o ano, o governo (seguindo o exemplo de associações de estudantes que publicitam RGA's para aprovar "coisas importantes" na véspera ou no próprio dia da mesma) de "mansinho" e sem muita cobertura jornalística (porque será?) vem anunciar que está a elaborar uma proposta de lei para apresentar na AR sobre o novo regime jurídico das Instituições de Ensino Superior.
Proposta muito interessante e curiosa, escrevendo-se nas suas linhas, por exemplo, da criação de um Conselho Geral (órgão ex novo) composto por docentes e investigadores, alunos e, no mínimo de 30% (percentagem que poderá aumentar), por pessoas "de distinguido mérito", exteriores às Universidades (não estamos a falar nem de docentes, nem de funcionários não-docentes nem de alunos de distinguido mérito, mas sim de "outros"). Um conselho que terá, entre outras funções, o de nomear o Reitor (que por sua vez também pode ser alguém externo), Reitor esse que, actualmente, é eleito pelos membros representantes da comunidade académica na Reitoria (docentes e não docentes).
Vindo esta proposta dum governo/partido PS a.k.a. "Jobs for the boys" é nítido que essas pessoas de "distinguido mérito" serão nomeadas políticamente o que levará a uma politização das Universidades... Poderá isto estar a ser feito para o sr. Primeiro-Ministro conseguir fazer o mestrado e o doutoramento numa Faculdade Pública de renome apenas com a dissertação numa folha A4 com o "carimbo" do Governo e a ser avaliada exclusivamente pelo Reitor nomeado (amigo do peito desse Partido Socialista)? Ou é algo mais do que isso e trata-se mesmo do "Poder" procurar aumentar os seus meios de controle (já o está a conseguir na Comunicação Social) na instituição que talvez seja o último reduto de discursos políticamente incorrectos? E teremos então docentes despedidos por contarem uma anedota ou fazerem uma crítica mordaz a um membro do governo numa aula? E os alunos de uma direcção de associação de estudantes serão expulsos da Faculdade por organizarem uma manifestação contra as políticas educativas?
Mas esta é apenas uma das novidades (outra, por exemplo é a passagem das Universidades a Fundações...) que, julgo eu, ser das mais perigosas , devido a estes membros exteriores às Universidades (se fossem simples gestores que apenas assegurassem que as diversas Faculdades não desperdiçavam fundos em actividades desnecessárias ainda aceitaria, em certos termos) poderem influenciar decisões que vinculam a política das Universidades e interferem com a actividade académica aí desenvolvida, de forma a serem Universidades "políticamente correctas".
Esta proposta, segundo o sr. Primeiro-Ministro, deve ser aprovada na A.R. antes do final da sessão legislativa, para ter o máximo de trabalho feito antes do início da presidência portuguesa na U.E. (descodificando: Porque em setembro os alunos já não têm exames e então estão mais atentos às notícias).
É urgente estar atento para ver qual a proposta final e o que vai ser feito na A.R. É urgente que toda a comunidade Universitária docente e não docente esteja atenta...

Para ler a proposta de lei está aqui o link.

No blogue do tribuna irá-se "postar", na medida do possível, novas informações sobre este novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior. Aconselho, a quem estiver interessado, a passar por lá periodicamente.

Como se já não bastasse Bolonha, agora isto...

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Quando a memória é curta...

No próximo sábado o semanário "Sol" faz um ano de vida... No cabeçalho, nessa primeira edição de 16 de Junho de 2006 lia-se assim:
"Este semanário não oferece brindes nem faz promoções"
Esta frase era um slogan para combater o rival "Expresso", que na altura dava os "brindes" de DVD's grátis com o semanário.
Bom, então só vos digo para comprarem a edição deste sábado
e vejam com os vossos próprios olhos o que mudou...
A memória é mesmo curta...

Ainda à cerca do desporto...

Apenas para pôr em destaque o despite de Robert Kubica no passado fim-de-semana, com os agradecimentos ao Anónimo1 pelo link.




"E quanto à tecnologia, é impressionante ver a segurança que se consegue garantir num carro que pesa só 600 kg, se despista a mais de 250 à hora, perde 3 rodas e metade da carroçaria, dá meia dúzia de piruetas e ainda choca contra outra parede e o desgraçado sai apenas desmaiado e com uma entorse no pé..." (Anónimo1)

segunda-feira, 11 de junho de 2007

O "hat-trick" de Rafael Nadal



O "nuestro hermano" Rafael Nadal conseguiu ontem a sua terceira vitória consecutiva na final do Grand Slam Roland Garros, contra o nº1 mundial Roger Federer, que perdeu ali o seu sonho de conquistar os quatro títulos de Grand Slam num único ano. Rafael Nadal ganhou 3-1 contra o suiço, pelos parciais de 6-3, 4-6, 6-3, 6-4, num jogo que, embora não tão emocionante como o da final de 2006, ainda demorou três horas e dez minutos.
Num país como o nosso que sofre de "futebolite aguda" faz falta uma ou outra notícia sobre o de que melhor se joga noutros desportos. Pela minha parte nunca perco uma final dum Roland Garros, nem que isso signifique uma tarde de estudo perdida (ou talvez não...). Pena é que, por exemplo, a 2: (único canal que passa informação sobre desporto que não futebol) não adquira os direitos dos Grand Slams (pelo menos) e só os que possuem a Eurosport possam ver a final em directo. Pena é que as televisões portuguesas estejam mais interessadas com as contratações novas para os plantéis dos três grandes do que para assinalar o facto de que uma luso-descendente chegou até aos quartos de final no dito torneio (e como ela, existem vários atletas que vão ganhando medalhas e que têm direito a um minuto, no máximo, de tempo de antena). Serviço Público é exigido também no Desporto e Desporto não é sinónimo de futebol.
E mais não digo, vou é estudar que o exame é já amanhã.
Mais informações sobre o torneio de Roland Garros e o Desporto em geral em: www.eurosport.com

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Descubra as diferenças...




É dificil...

...E as semelhanças!



Serão assim tão poucas?

terça-feira, 29 de maio de 2007

Ainda a propósito da "pérola" de Mário Lino

Na continuação do que escrevi há meia dúzia de dias atrás, não resisti a "postar" esta imagem que recebi hoje no meu email...

sexta-feira, 25 de maio de 2007

A "pérola" de Mário Lino


Os ministros do governo de Sócrates têm-se tornado exímios em dar "pérolas" à Comunicação Social para que esta ganhe mais uns pontos percentuais de audiências... Até o próprio Primeiro-Ministro não escapa à onda das "pérolas", uma vez que ele espera que Portugal se torne "um país mais pobre". No entanto, há que distinguir entre gafes (trocar o "próspero" pelo "pobre") de autênticas falhas de pensamento (ou se quisermos, autênticas formas de pensar retrógadas).
Há, no entanto de fazer aqui um "mea culpa". A Comunicação Social efectivamente deturpou o sentido da exposição do Ministro das Obras Públicas, Mário Lino. É completamente perceptível na reportagem integral do seu discurso no almoço da Ordem dos Economistas que o "deserto" de Mário Lino na Margem Sul compreende tão e somente as localidades de Rio Frio, Poceirão e Faias e, portanto, não é toda a Margem Sul um deserto para o ministro.
Mas será que isso é desculpa para um elemento dum órgão de soberania do Estado Português? É razoável compreender por toda a gesticulação do ministro na sua palestra que se estava num almoço descontraído e nada formal, no entanto isso não desculpa o facto de um ministro dizer em público que existe um Portugal de primeira e um Portugal de segunda e foi isso mesmo que Mário Lino fez. Ao afirmar que naquelas três localidades não há gente, não há nada, é só deserto (no entanto, curiosamente, essas localidades já se fizeram ouvir, se calhar pediram "gente emprestada" às localidades vizinhas...), Mário Lino afirmou de que não vale a pena fazer investimentos em locais que não têm infraestruturas, sendo isso uma autêntica antítese da finalidade dos investimentos que é precisamente dotar determinado objecto/local de mais infraestruturas/capacidades. Ora um aeroporto num local pouco desenvolvido não iria propiciar a um maior desenvolvimento dessa zona, trazendo investidores para construir hospitais, hóteis, habitações, etc..., que Lino tanto criticou de não existirem?
Mário Lino deve ser demitido sem sombra de dúvida, não pelo simples desprezo pela Margem Sul (corrijo: pelas localidades de Rio Frio, Poceirão e Faias), mas sim pelo carácter seu que o ministro revela nesse desprezo: É um ministro dominado pela mentalidade do "investir sobre investimentos de investimentos" ou, se quisermos, a mentalidade do "Portugal é Lisboa, um bocadinho do Porto e o resto é miragem". E esta mentalidade é a antítese de uma outra mentalidade, moderna e urgente para o nosso país, que tem de ser exigida impreterívelmente aos nossos ministros, de um desenvolvimento regional íntegro, de modo a diminuir as diferenças Litoral/Interior. E, mais grave do que isso, demonstra uma atitude completamente arrogante e, acima de tudo, irresponsável, pois é exigido a um ministro uma postura mais rígida e não tão à vontade como aquela que o ministro revelou no dito almoço, pelo menos em frente às câmaras. Não está apto para o cargo que foi nomeado!
É mais uma "pérola" a acrescentar às muitas que Sócrates tem no seu executivo (a de Manuel Pinho sobre a mão-de-obra barata portuguesa não poderá ser uma questão fácilmente comparável a esta?) e óbvio está que Lino não irá ser demitido ou se irá demitir, pelo menos até o projecto da OTA começar a todo o gás.
E, entretanto, toda a polémica será esquecida (voluntária ou involuntáriamente pela Comunicação Social) como já é habitual nos precalços deste executivo socialista.